Especialista do HSM explica sobre identificação e tratamento da doença de Alzheimer

O mal de Alzheimer é o tipo de demência mais comum, representando cerca de 50 a 70% dos casos. Trata-se de um quadro neurológico degenerativo, em que há uma perda lenta e progressiva da parte cognitiva, causando dificuldade no funcionamento social do indivíduo. As manifestações podem agravar-se ao longo do tempo. Os sinais iniciam, geralmente, com a perda de memória dos fatos mais recentes e vão evoluindo para o esquecimento de histórias distantes. Os principais fatores de risco são o sedentarismo, o isolamento social, a baixa escolaridade, uma rotina sem muito estímulo cognitivo, além de fatores metabólicos como diabetes, pressão alta e obesidade.

O psiquiatra Alexandre Lima, que atua no Ambulatório de Psicogeriatria do Hospital de Saúde Mental Professor Frota Pinto (HSM), da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), explica que, no estágio inicial da doença, ocorre um declínio da memória, gerando alterações comportamentais. Com o tempo, a pessoa vai perdendo a capacidade de planejamento, influenciando seu desempenho nas atividades diárias. “No estágio mais avançado, o paciente já não consegue mais tomar banho sozinho nem escovar os dentes; ele precisa de ajuda para higienização e para as outras atividades do dia a dia”, afirma.

Apesar de não ter cura, o especialista defende a importância de buscar ajuda profissional e do acompanhamento médico logo que a doença for diagnosticada. “A investigação é feita em consultório, por meio de uma série de testes para avaliar a memória, a capacidade cognitiva e a linguagem. Depois, pedimos alguns exames para excluir outras possíveis causas. Com a confirmação da doença, o paciente vai apresentar, ao longo do tempo, um declínio das funções cognitivas e comportamentais que se estenderão no decorrer da vida. Porém, com a realização do tratamento e o uso de medicação adequada, a patologia vai sendo lentificada. Por isso, é importante que esse paciente tenha um acompanhamento médico para cuidar da parte clínica e cognitiva/comportamental”, orienta o especialista.

No Ambulatório de Psicogeriatria do HSM são tratados pacientes com idades a partir de 60 anos, com vários tipos de demência, como o Alzheimer. O equipamento, entretanto, possui um perfil bem diverso, atendendo também casos como depressão, ansiedade e síndrome do pânico. Familiares e cuidadores que acompanham a pessoa com transtornos psiquiátricos ou quadros de demência recebem as orientações dos especialistas – muitos deles, inclusive, são encaminhados para cuidar da própria saúde mental.

Cuidar de quem cuida

Uma orientação geral para o familiar que está na linha de frente com esse paciente é que não deixe de equilibrar o tempo de cuidador com a própria vida. “O tipo de orientação vai depender muito do estágio da doença, mas, de um modo geral, nós sempre indicamos que é preciso e necessário cuidar de si também. É muito comum a pessoa abdicar de tudo, abandonar a própria vida para cuidar do parente com Alzheimer. Nos casos em que é possível contratar um cuidador profissional para dividir essa tarefa, isso ajuda bastante, pois não é fácil lidar com excreções, fezes descontroladas, saliva do paciente, entre outros problemas que vão surgindo com a evolução da doença. É um trabalho muito pesado e que necessita de ajuda de outras pessoas”, sublinha o psiquiatra.

É o que acontece com a dona de casa Eliane de Souza, 55, que assiste a mãe de 88 anos, diagnosticada com Alzheimer. “Aqui no ambulatório do HSM, recebo toda a indicação para cuidar melhor da minha mãe e da minha saúde mental. Eu cuido dela diariamente e, com o tratamento, facilita esse processo. Aqui, ela também recebe a medicação necessária e eu recebo orientação devida para dar um suporte melhor a ela. Se não tivesse esse atendimento no serviço público, eu não teria como pagar particular, pois não temos planos de saúde. Além de gratuito, somos muito bem atendidas”, avalia a acompanhante.

Serviço

Ambulatório de Psicogeriatria do Hospital de Saúde Mental Professor Frota Pinto (HSM)
Rua Vicente Nobre de Macedo, s/n – Messejana – Fortaleza
Atenção: É necessário encaminhamento médico da atenção básica (postos de saúde) para ser atendido no ambulatório.

Fonte: Ceará.gov

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